
As ações estatais nas eleições costumam apresentar oscilações maiores do que os papéis de empresas privadas. Afinal, o cenário político influencia as expectativas dos investidores e movimenta a Bolsa de Valores.
Um levantamento da Economatica, analisou o desempenho de 19 empresas estatais listadas na B3. O estudo considerou seis eleições presidenciais, entre 2002 e 2022, além dos resultados parciais de 2026.
Os números mostram que as estatais costumam superar as empresas privadas durante os anos eleitorais. Entretanto, essa vantagem nem sempre continua após a definição do resultado.
Como as ações estatais nas eleições se comportam historicamente?
Entre 2002 e 2022, as estatais registraram valorização média de 8,6% do início do ano até a véspera do primeiro turno. Enquanto isso, as empresas privadas acumularam queda média de 2,5%.
Além disso, as estatais apresentaram desempenho superior entre os dois turnos. Nesse intervalo, avançaram 3%, contra 2,6% das companhias privadas.
Por outro lado, o cenário mudou após o segundo turno. As estatais registraram queda média de 1,5%, enquanto as empresas privadas recuaram apenas 0,4%.
Apesar dessas oscilações, as empresas sob controle estatal encerraram os anos eleitorais com retorno médio de 17,5%. Já as companhias privadas alcançaram 5,6%.
O que os números de 2026 revelam?
Em 2026, as estatais mantiveram uma vantagem expressiva no acumulado do ano. Até 20 de outubro, o grupo apresentou valorização mediana de 22,8%. Em comparação, as empresas privadas acumularam alta de 7,5%.
As estatais federais tiveram um desempenho ainda mais forte, com valorização média de 45,5% no mesmo período. Entre os principais destaques aparecem Petrobras e Banco do Brasil.
Entretanto, a reação ao primeiro turno seguiu outra direção. No primeiro pregão após a votação, as empresas privadas avançaram 5%, enquanto as estatais subiram 1,6%.
Da mesma forma, entre o primeiro turno e 20 de outubro, as companhias privadas ganharam 6,6%, contra 5,4% das estatais.
Portanto, os dados mostram duas tendências diferentes: as estatais lideraram os ganhos acumulados do ano, mas perderam força relativa durante o período entre os turnos.
Por que as ações estatais nas eleições apresentam tanta volatilidade?
As decisões políticas podem influenciar diretamente a gestão e as estratégias das empresas estatais.
Por isso, os investidores acompanham propostas econômicas, expectativas sobre a administração pública e possíveis mudanças nas políticas dessas companhias. Além disso, o resultado das urnas pode alterar a percepção de risco do mercado.
O histórico também mostra diferenças importantes entre as empresas. As ações preferenciais da Petrobras, por exemplo, caíram no primeiro pregão após o segundo turno em cinco das seis eleições analisadas.
Em 2014, a queda chegou a 12,3%. Já em 2022, o recuo alcançou 8,5%. O Banco do Brasil também apresentou perdas em cinco dessas seis ocasiões.
Esses movimentos reforçam a influência das expectativas políticas sobre os preços das ações.
O que os investidores podem aprender com esse histórico?
Os dados mostram que o desempenho das estatais muda conforme o momento do calendário eleitoral. Dessa forma, acompanhar apenas a valorização acumulada pode oferecer uma visão incompleta do mercado.
Além do cenário político, o investidor precisa considerar os resultados financeiros, os fundamentos das empresas e os riscos de cada investimento.
Em resumo, o histórico eleitoral revela tendências importantes, mas não garante retornos futuros. Por isso, uma análise consistente deve considerar diferentes fatores antes de qualquer decisão.
