A influência dos EUA no Brasil pode ganhar força caso o país adote uma política externa mais próxima de Washington nos próximos anos.
O cenário entrou no debate eleitoral de 2026 após análises internacionais apontarem diferenças relevantes entre os projetos de política externa apresentados pelos principais candidatos à Presidência.
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, por exemplo, poderia aproximar Brasília do governo de Donald Trump.
Ao mesmo tempo, essa mudança poderia reduzir o peso político da relação com a China e modificar a atuação brasileira em organismos multilaterais.
No entanto, uma alteração diplomática não significa necessariamente uma ruptura econômica.
Influência dos EUA no Brasil pode crescer com novo alinhamento político
Analistas internacionais avaliam que um governo de Flávio Bolsonaro teria maior proximidade política com os Estados Unidos.
Dessa forma, o Brasil poderia reforçar relações bilaterais com Washington e apoiar algumas iniciativas defendidas pelo governo norte-americano.
Entre elas aparece o chamado Escudo das Américas. A iniciativa envolve governos da região em ações relacionadas à segurança e ao combate ao tráfico de drogas.
Além disso, uma aproximação maior poderia afetar a participação brasileira em fóruns internacionais. O Brasil poderia reduzir sua atuação política em espaços como os BRICS, por exemplo.
Por outro lado, interesses econômicos podem limitar essa mudança.
Relação comercial com a China continua estratégica
A China ocupa uma posição central no comércio exterior brasileiro. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 e compra produtos importantes para a economia nacional. Entre eles estão soja, petróleo e minério de ferro.
Por isso, mesmo com o crescimento da influência dos EUA no Brasil, uma ruptura comercial com Pequim seria difícil.
A experiência recente ajuda a explicar esse cenário. Durante o governo de Jair Bolsonaro, críticas políticas à China não impediram o avanço das relações comerciais entre os dois países.
Além disso, o Brasil resistiu a pressões norte-americanas relacionadas à participação da Huawei na implantação do 5G. Assim, política e economia podem seguir caminhos diferentes.
O papel dos BRICS também entra na discussão
Outro ponto importante envolve a participação brasileira nos BRICS.
O atual governo utiliza o bloco como parte de uma estratégia de multialinhamento. Em outras palavras, o Brasil mantém relações com diferentes potências sem assumir alinhamento automático com apenas um lado.
Uma nova gestão poderia rever essa estratégia. Flávio Bolsonaro já indicou preferência por relações bilaterais e poderia reavaliar o papel brasileiro dentro dos BRICS.
Ainda assim, sair do bloco não seria uma consequência automática. Empresas exportadoras, interesses econômicos e a tradição diplomática brasileira também influenciam essas decisões.
Influência dos EUA no Brasil não depende apenas da Presidência
Uma mudança de governo pode alterar prioridades diplomáticas. Porém, outros fatores também pesam nas decisões do país.
O comércio internacional, os investimentos estrangeiros, o Congresso e os interesses de diferentes setores econômicos ajudam a limitar mudanças bruscas.
Além disso, Brasil, Estados Unidos e China possuem relações econômicas complexas. Por isso, um governo pode buscar maior proximidade política com Washington sem abandonar as relações comerciais com Pequim.
O cenário mais provável, portanto, envolve uma disputa por influência acompanhada de pragmatismo econômico.
Para o Brasil, o principal desafio será equilibrar relações com duas das maiores potências mundiais sem reduzir sua autonomia.

