A alta da Magalu chamou a atenção do mercado em setembro de 2026. As ações MGLU3 avançaram 61,47% no mês e encerraram o período a R$ 7,46.
Com isso, o Magazine Luiza liderou os ganhos do Ibovespa, que subiu 5,03% no mesmo intervalo.
O movimento aconteceu após uma sequência de fatores favoráveis à varejista. Entre eles, ganharam destaque a parceria com o Mercado Livre e a queda da taxa Selic.
Além disso, investidores passaram a considerar novas perspectivas para a operação.
Ao mesmo tempo, analistas ainda apontam desafios para a continuidade dessa valorização. Portanto, os próximos resultados da companhia devem ganhar atenção especial do mercado.
Alta da Magalu ganhou força com parceria com Mercado Livre
Um dos principais gatilhos de setembro veio do acordo entre Magazine Luiza e Mercado Livre. A parceria permite ampliar a distribuição dos produtos da varejista dentro da plataforma.
Esse movimento pode ajudar o Magalu a recuperar espaço no comércio eletrônico. No segundo trimestre, as vendas online da companhia caíram cerca de 12%. Por outro lado, as lojas físicas registraram crescimento de 10,3%.
A S&P também considerou a parceria em suas projeções. A agência reafirmou a nota de crédito do Magazine Luiza em “brAA-” e espera recuperação gradual das vendas nos próximos meses.
Porém, a agência revisou suas projeções para 2026. Agora, estima uma relação entre dívida líquida e Ebitda próxima de quatro vezes no fim do ano. Para 2027, a expectativa fica entre três e 3,5 vezes.
Juros menores também ajudaram as ações
O cenário de juros trouxe outro impulso relevante. A Selic chegou a 13,75% depois de cinco cortes consecutivos do Banco Central. Como o varejo depende do consumo e do crédito, taxas menores podem beneficiar empresas do setor.
No Magazine Luiza, esse efeito tem peso importante. Segundo estimativas do JPMorgan, uma Selic um ponto percentual abaixo do cenário-base poderia elevar em cerca de 10% o lucro projetado da empresa para 2028.
Entretanto, juros menores não trazem apenas efeitos positivos. Eles reduzem despesas financeiras e podem incentivar o consumo de bens duráveis.
Contudo, também podem diminuir ganhos financeiros ligados às vendas e pressionar as margens.
Por isso, o mercado acompanha tanto o cenário econômico quanto a capacidade da varejista de melhorar sua operação.
Resultados terão de sustentar a alta da Magalu
Apesar da forte valorização, os números recentes ainda mostram desafios. No segundo trimestre, o Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões. A receita líquida caiu 2,6%, enquanto as vendas totais recuaram 5,1%.
A margem Ebitda ajustada, entretanto, permaneceu próxima de 8%. Agora, os próximos balanços terão de mostrar se os fatores que animaram os investidores também aparecem nas vendas, nas margens e na geração de caixa.
Entre os pontos de atenção estão a recuperação das vendas digitais, a redução do endividamento e o desempenho da Luizacred. Além disso, a Black Friday e as vendas de fim de ano serão testes importantes para a companhia.
O que esperar dos próximos meses?
Depois do avanço de mais de 60% em setembro, o Magazine Luiza entra em outubro sob novas expectativas. A parceria com o Mercado Livre e a redução dos juros criaram um ambiente mais favorável para a MGLU3.
Ainda assim, a alta da Magalu não elimina os desafios operacionais. O JPMorgan mantém recomendação underweight para os papéis e aponta dúvidas sobre a qualidade dos resultados apresentados pela companhia.
Dessa forma, os próximos balanços devem indicar se a valorização de setembro veio acompanhada por uma melhora consistente nas operações do Magazine Luiza.

