A inflação no governo Bolsonaro passou por diferentes momentos ao longo do mandato presidencial, que ocorreu entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022.
Embora os primeiros anos tenham apresentado índices relativamente controlados, fatores como a pandemia de Covid-19, problemas nas cadeias globais de suprimentos e a alta das commodities pressionaram os preços.
Relembre como os preços se comportaram no período.
Como estava a inflação no governo Bolsonaro antes da pandemia?
Em 2019, o Brasil registrou inflação de 4,31%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O resultado ficou próximo da meta estabelecida pelo Banco Central para o período.
Naquele momento, a economia ainda enfrentava desafios para crescer, porém os preços permaneciam relativamente estáveis.
Além disso, os juros básicos estavam em trajetória de queda, o que ajudava a estimular o consumo e os investimentos.
Já em 2020, a pandemia alterou completamente o cenário econômico mundial. Mesmo assim, o IPCA encerrou o ano em 4,52%, ainda dentro de um patamar considerado administrável quando comparado aos anos seguintes.
Por que a inflação no governo Bolsonaro acelerou em 2021?
A inflação no governo Bolsonaro atingiu seu pico em 2021. Naquele ano, o IPCA fechou em 10,06%, o maior resultado desde 2015. Diversos fatores contribuíram para essa alta:
- Aumento dos preços dos combustíveis;
- Valorização das commodities no mercado internacional;
- Crise hídrica e encarecimento da energia elétrica;
- Desorganização das cadeias globais de produção;
- Desvalorização do real frente ao dólar.
Como consequência, alimentos, combustíveis e energia registraram aumentos expressivos. O consumidor passou a sentir o impacto diretamente no orçamento doméstico.
Quais produtos mais pressionaram os preços durante o período?
Alguns grupos apresentaram aumentos acima da média nacional. Entre eles, destacaram-se:
- Combustíveis: a gasolina acumulou altas significativas entre 2021 e parte de 2022. Como resultado, o transporte ficou mais caro e influenciou diversos setores da economia.
- Energia elétrica: a crise hídrica levou à criação de bandeiras tarifárias mais elevadas. Dessa forma, as contas de luz ficaram mais pesadas para famílias e empresas.
- Alimentos: produtos básicos, como óleo de soja, carnes, leite e café, registraram aumentos notáveis. Além disso, fatores climáticos afetaram a produção agrícola em diferentes regiões do país.
A inflação no governo Bolsonaro caiu em 2022?
Sim. Após atingir mais de 10% em 2021, a inflação no governo Bolsonaro desacelerou em 2022. O IPCA encerrou o ano em 5,79%.
Essa redução ocorreu por diferentes motivos:
- Queda dos preços internacionais de algumas commodities;
- Redução de impostos sobre combustíveis;
- Política monetária mais restritiva do Banco Central;
- Recuo dos preços da gasolina em vários meses de 2022.
Além disso, a taxa Selic chegou a 13,75% ao ano. Com juros mais altos, o crédito ficou mais caro e o consumo perdeu força, o que ajudou a conter o avanço dos preços.
Qual foi o saldo da inflação no governo Bolsonaro?
Ao analisar os quatro anos de mandato, observa-se que a inflação apresentou forte volatilidade. Os índices anuais do IPCA ficaram em:
- 2019: 4,31%;
- 2020: 4,52%;
- 2021: 10,06%;
- 2022: 5,79%.
Portanto, o período terminou com uma inflação acumulada relevante, especialmente devido aos efeitos econômicos da pandemia e às pressões internacionais sobre energia, combustíveis e alimentos.
Ao mesmo tempo, é importante considerar que boa parte dos fatores que impulsionaram os preços também afetou diversas economias ao redor do mundo.
Ainda assim, a inflação no governo Bolsonaro tornou-se um dos temas mais debatidos durante o período, justamente por seu impacto direto no custo de vida da população brasileira.

