A possível abertura do Estreito de Ormuz voltou ao centro do cenário geopolítico global nesta quarta-feira (6 de maio de 2026). 

Isso porque Estados Unidos e Irã estão próximos de fechar um memorando de entendimento com 14 pontos para encerrar a guerra e estabelecer as bases de um novo acordo nuclear.

Segundo fontes ligadas às negociações, o acordo prevê uma moratória no enriquecimento de urânio por parte do Irã durante um período entre 12 e 15 anos. 

Em contrapartida, os Estados Unidos suspenderiam sanções econômicas e liberariam bilhões de dólares em fundos iranianos congelados.

O que o novo possível acordo diz sobre a abertura do Estreito de Ormuz

Além disso, o texto inclui a abertura do Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo internacional, encerrando meses de tensão em uma das rotas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo e gás. 

Mesmo assim, não é possível dizer que o Estreito está aberto e quando a reabertura da passagem acontecerá.

Além disso, o memorando também estabelece o fim imediato da guerra e o início de um período de 30 dias de negociações mais detalhadas.

Entretanto, apesar do avanço diplomático, o clima ainda permanece instável.

Irã cria nova autoridade para controlar passagem em Ormuz

Poucos minutos após a divulgação do relatório da Axios indicando que um acordo estaria próximo, o Irã lançou um novo site chamado “Persian Gulf Strait Authority”, responsável por supervisionar o tráfego no Estreito de Ormuz.

A iniciativa chamou atenção do mercado internacional porque sinaliza um novo modelo de controle da navegação na região.

Segundo informações divulgadas, as embarcações deverão receber instruções e regras operacionais por e-mail antes da travessia.

Além disso, o sistema indica que o Irã pretende cobrar taxas para garantir a passagem segura dos navios pela rota marítima.

Na prática, mesmo com a possível abertura do Estreito de Ormuz, o governo iraniano demonstra que deseja manter forte influência sobre o fluxo comercial na região.

Trump adota cautela sobre acordo de paz

Enquanto as negociações avançam, o presidente Donald Trump afirmou que ainda é “cedo demais” para iniciar os preparativos de assinatura de um acordo de paz com o Irã. A declaração foi divulgada pelo jornal New York Post.

Apesar disso, Trump decidiu suspender temporariamente a operação militar “Project Freedom”, criada para escoltar navios pelo Estreito de Ormuz. Segundo ele, houve um “grande progresso” nas conversas diplomáticas.

Ao mesmo tempo, o governo americano segue pressionando o Irã sobre o programa nuclear e sobre os estoques de urânio enriquecido mantidos pelo país.

Petróleo dispara novamente

Mesmo com os sinais positivos envolvendo a abertura do Estreito de Ormuz, o mercado reagiu com forte volatilidade.

Após declarações de cautela vindas da Casa Branca e dúvidas sobre a efetividade do acordo, os preços do petróleo voltaram a subir rapidamente. O barril do petróleo nos Estados Unidos superou novamente os US$ 95.

Analistas avaliam que o mercado ainda teme novos confrontos militares ou possíveis restrições adicionais no estreito, responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo.

Por isso, embora a abertura do Estreito de Ormuz represente um avanço importante para a economia global, investidores ainda acompanham as negociações com cautela.

Afinal, qualquer ruptura nas tratativas pode provocar novos impactos imediatos sobre energia, inflação e comércio internacional.