O fluxo estrangeiro na B3 desacelerou em abril após um primeiro trimestre marcado por fortes entradas de capital.
Mesmo assim, o saldo do mês continuou positivo e reforçou o interesse do investidor internacional pelo mercado brasileiro. Segundo dados da B3 divulgados pela Bloomberg Línea, a entrada líquida ficou em R$ 3,18 bilhões.
Além disso, a bolsa brasileira registrou sete pregões consecutivos de saída de recursos no fim de abril, com retiradas superiores a R$ 8 bilhões.
Ainda assim, o movimento não alterou a percepção de que o Brasil continua relevante dentro da estratégia global de diversificação dos investidores.
Por que o fluxo estrangeiro na B3 perdeu força?
Parte da desaceleração ocorreu porque as bolsas americanas recuperaram força, principalmente as ações de tecnologia. Dessa forma, muitos investidores voltaram a direcionar recursos para os Estados Unidos.
Desse modo, o mercado passou por uma “reacomodação do fluxo” após um período de forte entrada de capital no Brasil.
Ao mesmo tempo, especialistas destacam que investidores estrangeiros aproveitaram os ganhos acumulados nos últimos meses.
Isso porque o capital internacional lucrou tanto com a alta do Ibovespa quanto com a valorização do Real ao longo do ano.
Brasil continua atrativo para investidores internacionais
Apesar da redução no ritmo de entrada, o fluxo estrangeiro na B3 ainda encontra suporte em fatores estruturais. Entre eles, aparecem:
- Valuation atrativo das ações brasileiras;
- Mercado consumidor amplo;
- Forte presença de commodities;
- Menor exposição ao setor de tecnologia;
- Expectativa de queda gradual da Selic.
Além disso, investidores globais seguem buscando diversificação fora dos Estados Unidos. O cenário de dólar mais fraco, tensões geopolíticas e riscos políticos americanos fortalece o interesse por mercados emergentes como o Brasil.
Dessa maneira, o movimento recente parece temporário e não altera a visão construtiva sobre o país.
Ibovespa ainda depende do capital externo
O fluxo estrangeiro na B3 continua como um dos principais motores da bolsa brasileira. Analistas apontam que a retomada mais forte do Ibovespa depende diretamente do retorno desse capital.
De acordo com especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o mercado monitora fatores como:
- Melhora do cenário geopolítico;
- Redução da inflação;
- Continuidade dos cortes de juros;
- Queda da aversão global ao risco.
Em abril, o Ibovespa fechou praticamente estável. Porém, quando convertido em dólares, o índice acumulou alta de 4,3%. Ainda assim, o desempenho ficou abaixo de índices internacionais, como o S&P 500 e o MSCI de mercados emergentes.
O que esperar do fluxo estrangeiro na B3?
O mercado acredita que maio deve trazer mais volatilidade. No entanto, muitos gestores ainda enxergam espaço para novas entradas de capital estrangeiro na bolsa brasileira.
Isso porque o Brasil mantém fundamentos considerados positivos no atual cenário global. Além disso, o país segue como alternativa relevante para investidores que buscam exposição a emergentes fora do eixo tradicional de tecnologia dos EUA.
Caso o ambiente externo melhore e a curva de juros brasileira continue em queda, o fluxo estrangeiro na B3 pode voltar a ganhar força nos próximos meses.
