Imagem ilustrativa gerada por IA: mãos de uma pessoa à mesa, à noite, diante de cédulas de dólar, moedas de real e um notebook com a tela desfocada, representando a escolha entre investimentos na semana do 2º turno.
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Prefixado do Tesouro pagava 12,83% ao ano até 2029 na taxa de compra das 18h de 19/10; quem vender antes do vencimento ganha ou perde com a reação dos juros

Gestoras ouvidas pelo InfoMoney projetam caminhos opostos para os juros depois do 2º turno, em 25 de outubro. Com vitória de Flávio Bolsonaro e regra fiscal crível, o DI de 2031 cairia para 11% a 12%; com a reeleição de Lula, superaria o nível de antes do 1º turno, perto de 13,9%.

O DI para janeiro de 2031, contrato da B3 que serve de termômetro para os títulos prefixados, caiu de 13,92% em 2 de outubro para 12,25% no dia 9. Depois que pesquisas da terça-feira (13) mostraram empate técnico no 2º turno, a taxa voltou a subir e operava em 12,78% na sexta (16).

Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, atribui ao prêmio eleitoral, a parte da taxa que cobre o risco da votação, de 100 a 120 pontos-base (1 a 1,2 ponto percentual) da queda até o dia 8. Ele resume o momento assim: “O mercado comprou a promessa de austeridade, ainda não a entrega”.

Renda fixa

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica, de 13,75% ao ano desde 17 de setembro, mostra o histórico do Banco Central, e o rendimento dele sobe ou desce junto com essa taxa.

O que pesa sobre o pós-fixado é o rumo da Selic. A mediana do Boletim Focus desta segunda-feira (19) aponta 13,25% no fim de 2026, e Gabriel Magno, sócio da AW Capital, diz que esse título perde atratividade com os cortes esperados, dependendo do prazo.

No prefixado, a taxa fica travada na compra. O Tesouro Direto vendia o Prefixado 2029 a 12,83% ao ano e o Prefixado 2032 a 13,04% na última atualização desta segunda, às 18h, e essas taxas mudam a cada dia útil.

Quem leva o título até o vencimento recebe a taxa contratada, mas quem vende antes recebe o preço do dia. Se as taxas de mercado subirem 1 ponto percentual, o preço do Prefixado 2032 cai cerca de 4,4%; se caírem 1 ponto, sobe cerca de 4,7%, em cálculo do Economia News.

O Tesouro IPCA+ 2032 pagava a inflação mais 6,86% ao ano na mesma atualização. Magno prefere esses papéis levados ao vencimento e afirma que “as taxas caíram, mas ainda estão em níveis elevados”, enquanto, para ele, os prefixados já perderam grande parte do prêmio.

Benavenuto descreve três caminhos para quem decide antes do dia 25. Travar prefixado ou IPCA+ longo agora é, para ele, uma aposta direcional, com perda forte na marcação a mercado, a variação diária do preço, se o cenário favorável não vier.

Esperar no pós-fixado, segue ele, evita o risco de marcação, mas pode deixar passar parte da queda dos juros, enquanto fracionar os aportes dispensa acertar o resultado e dilui o preço médio.

“O mercado comprou a promessa de austeridade, ainda não a entrega”
Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital

Bolsa e setores

O Ibovespa fechou esta segunda-feira (19) em queda de 0,17%. Em cenários reunidos pelo InfoMoney em 2 de outubro, antes do 1º turno, a XP calculou valor justo de cerca de 201 mil pontos no cenário-base, 248,4 mil com juro real de 6% e 165,6 mil com juro real de 8,5%.

A XP montou ainda duas cestas de ações ligadas ao quadro fiscal, sem referência a candidato. Uma reúne papéis que ganhariam com juros e prêmio de risco menores depois de uma sinalização fiscal crível, e a outra, para deterioração fiscal, tem predomínio de exportadoras e empresas ligadas ao câmbio.

Bancos e gestoras também montaram carteiras por candidato, segundo a Gazeta Mercantil em 5 de outubro. Para uma vitória de Flávio, o BTG Pactual estimou potencial de alta adicional de 11% a 20% em reais para as ações brasileiras.

As carteiras do BTG e do Citi para esse cenário têm em comum, entre outros, varejo, construção e mercado de capitais, e o Citi associa o desempenho esperado a menos intervenção estatal, mais concessões e juros em queda.

Para uma reeleição de Lula, o Citi combina exportadoras, empresas menos dependentes do consumo doméstico e companhias ligadas a programas públicos, como o Minha Casa, Minha Vida.

A Nomos segue lógica parecida, com exportadoras e seguradoras na cesta de Lula, e ainda separou empresas de bancos, saneamento e energia elétrica que considera resilientes em diferentes cenários.

O jornal explica as escolhas pelo câmbio e pelo custo do dinheiro: juro menor barateia o crédito para varejo e construção, e o real mais forte reduz, em reais, a receita que as exportadoras obtêm no exterior.

Dólar

O dólar comercial caiu pela segunda sessão seguida nesta segunda-feira (19), segundo o InfoMoney, e era vendido a R$ 5,048 no fim da tarde; a mediana do Focus para o fim de 2026 está em R$ 5,13.

Leonel Oliveira Mattos, especialista em câmbio da StoneX, disse à CNN Brasil que o 1º turno “meio que antecipou boa parte desse movimento”. Para ele, uma vitória de Flávio traria valorização adicional do real, sem a mesma intensidade vista depois do 1º turno.

Já a reeleição de Lula não está nos preços, avalia o especialista: “Essa surpresa provavelmente provocaria a reversão da avaliação sobre os ativos brasileiros”, com real mais fraco e Bolsa pior. Gustavo Sung, da Suno Research, prevê no mesmo cenário juros e dólar em alta e Bolsa em queda.

Cenários por classe de investimento, segundo bancos e gestoras
ClasseSe Flávio vencerSe Lula vencer
Juros longos (prefixado e IPCA+)DI de 2031 entre 11% e 12% se equipe e regra fiscal forem críveis; volta a subir se o fiscal decepcionar (Anvex, AW)DI de 2031 acima do nível de antes do 1º turno, perto de 13,9% (Anvex, AW)
BolsaPotencial de alta adicional de 11% a 20% em reais (BTG); carteiras com varejo, construção e mercado de capitais, entre outros (BTG, Citi)Juros e dólar em alta e Bolsa em queda (Suno); carteiras com exportadoras e seguradoras (Citi, Nomos)
DólarReal se valoriza mais, com menos força que após o 1º turno (StoneX)Real se desvaloriza (StoneX)
Nota da tabela: projeções e carteiras setoriais das casas citadas, publicadas pelo InfoMoney (02/10 e 19/10/2026), pela Gazeta Mercantil (05/10/2026) e pela CNN Brasil (18/10/2026). Não são previsão nem recomendação do Economia News.

Exercício com R$ 500 mil

Para mostrar o mecanismo, o Economia News simulou o que aconteceria com R$ 500 mil aplicados nesta terça-feira (20) em três títulos, com as taxas de compra do Tesouro Direto de 19 de outubro. É um exercício hipotético, sem indicação do que fazer.

No Tesouro Selic, se a taxa básica ficasse em 13,75% durante 12 meses, o ganho líquido seria de cerca de R$ 57 mil, pouco mais de 11%, depois do Imposto de Renda de 17,5%. Como o Focus espera Selic menor, o resultado tende a ficar abaixo disso.

No Prefixado 2029 levado até 1º de janeiro de 2029, os R$ 500 mil virariam cerca de R$ 650,4 mil brutos e R$ 627,8 mil depois do IR de 15%. O ganho seria de 25,6% em pouco mais de dois anos, nominal e só para quem levasse o título até o vencimento.

Exercício com R$ 500 mil no Tesouro Direto
Alternativa (exercício)HipóteseResultado sobre R$ 500 mil
Tesouro Selic 2031 por 12 mesesSelic em 13,75% o ano todoGanho líquido de cerca de R$ 57 mil (pouco mais de 11%)
Tesouro Prefixado 2029 até o vencimentoTaxa de 12,83% ao ano~R$ 627,8 mil líquidos em 1º/1/2029 (ganho de 25,6%)
Prefixado 2029: variação do preço (marcação a mercado)Taxas sobem 1 ponto / caem 1 ponto−R$ 9,5 mil (−1,9%) / +R$ 9,8 mil (+2,0%)
Prefixado 2032: variação do preço (marcação a mercado)Taxas sobem 1 ponto / caem 1 ponto−R$ 22,2 mil (−4,4%) / +R$ 23,5 mil (+4,7%)
Nota da tabela: cálculo do Economia News com as taxas e preços de compra do Tesouro Direto às 18h de 19/10/2026 e aplicação em 20/10/2026. IR pela tabela regressiva da Lei 11.033/2004 (17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias). Valores nominais, sem descontar a inflação, antes da taxa de custódia da B3. Nas linhas de marcação, variação teórica do preço se as taxas mudarem 1 ponto, antes de IR e sem contar a diferença entre taxa de compra e de venda e o IOF de resgates com menos de 30 dias. Simulação, não recomendação.

Os títulos do Tesouro não contam com o Fundo Garantidor de Créditos, que cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição ou conglomerado; em CDB de um único banco, metade dos R$ 500 mil ficaria fora dessa garantia.

Histórico e pesquisas

Num levantamento do BTG Pactual com dados da Bloomberg, o Ibovespa caiu entre o fechamento da sexta e o da segunda-feira seguinte ao 2º turno em quatro de seis eleições desde 2002. Recuou 2,77% em 2014 e 2,24% em 2018 e subiu 1,31% em 2022.

Os autores, Lucas Costa e Gabriela Sporch, advertem que, com seis eventos, os números “descrevem o que ocorreu e não indicam probabilidades para eleições futuras”, e o estudo não leva em conta quem venceu cada disputa.

Em prazo mais longo, o resultado também variou, lembrou o Goldman Sachs. Em 2006 e 2018, as ações brasileiras chegaram a subir de 10% a 20% nos seis meses depois da eleição; depois de 2022, houve correção próxima de 15%.

Entre as pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (19), reunidas pela Band, a AtlasIntel/Bloomberg tem Flávio com 49,8% e Lula com 47,6%, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

O levantamento da AtlasIntel ouviu 4.998 eleitores pela internet de 13 a 18 de outubro e está registrado no TSE sob o número BR-02418/2026, informou a Band.

Na BTG/Nexus, contratada pelo BTG Pactual, que também publica análises de ações, Flávio tem 46,5% e Lula, 45,9%, empate técnico dentro da margem de 2 pontos e nível de confiança de 95% (2.002 eleitores por telefone, de 16 a 18/10, registro BR-04499/2026).

A Quaest divulga a próxima pesquisa na quarta-feira (21), com 2.154 entrevistas (BR-08535/2026), e o Datafolha, na quinta-feira (22), com 2.520 entrevistas previstas (BR-09709/2026).

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