O barril de petróleo chegou perto de US$ 110 nesta sexta-feira (16) e deu o tom do pregão no Brasil, onde a Petrobras puxou a bolsa enquanto os bancos ficavam para trás, num dia em que as ações de tecnologia voltaram a cair forte em Nova York.
Nesta edição de O Mercado Hoje, você vai ver por que a alta do petróleo agrada a bolsa e preocupa quem acompanha a inflação, o que os juros dos EUA têm a ver com o dólar a R$ 5,07 e quais datas podem mudar o humor dos investidores.
- Petróleo: Brent sobe 3,7%, a US$ 109,86
- Bolsa: Ibovespa +0,54%, puxado pela Petrobras
- Dólar: cai 0,28%, a R$ 5,073
- EUA: Nasdaq −2,1%, com chips em queda
Petróleo em alta
O Brent, petróleo usado como referência internacional, subiu 3,7% e fechou a US$ 109,86 por barril, informou a agência AP, que atribui a alta à falta de um acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra.
O salto fica mais claro quando se olha para trás: no fim de fevereiro, antes de a guerra começar, o barril custava cerca de US$ 72. Durante o pregão desta sexta, o preço chegou a encostar em US$ 110.
Petróleo caro aumenta o faturamento das empresas que extraem e vendem o óleo, e é por isso que as petroleiras listadas na bolsa brasileira costumam subir quando o barril dispara.
A bolsa brasileira
O Ibovespa, principal índice de ações da B3, subiu 0,54% e fechou aos 205.430,33 pontos, de acordo com a cobertura ao vivo do InfoMoney. Foi a primeira alta depois de três quedas seguidas e a única da semana.
A Petrobras (PETR4) subiu 4,04% e fechou na máxima do dia, e a PRIO (PRIO3), outra petroleira, avançou 2,56%. As duas ajudaram a segurar o índice num dia em que o Bradesco (BBDC4) caiu 1,78%.
| Mercado | Variação em 16/10 |
|---|---|
| Brent (barril) | +3,7% |
| Ibovespa | +0,54% |
| Petrobras (PETR4) | +4,04% |
| Dólar comercial | −0,28% |
| Nasdaq | −2,1% |
Itaú, Banco do Brasil e Santander também terminaram em baixa. Do lado positivo, os frigoríficos ajudaram, com MBRF (MBRF3) em alta de 2,59% e Minerva (BEEF3) subindo 1,46%, enquanto a Vale (VALE3), uma das ações de maior peso no índice, recuou 0,32%.
As pesquisas eleitorais do segundo turno presidencial também pesaram no pregão e fizeram os preços oscilarem ao longo do dia, um vaivém que ficou ainda mais visível no mercado de juros.
Inflação e juros no Brasil
Os juros futuros, chamados de DI, são contratos negociados na B3 que mostram quanto o mercado espera que a taxa de juros esteja em cada data, e eles recuaram em todos os prazos nesta sexta, segundo o InfoMoney.
O contrato para janeiro de 2027 caiu para 13,485% ao ano, e o de janeiro de 2029 terminou em 12,685%. As taxas chegaram a subir depois da divulgação de uma pesquisa eleitoral CNT/MDA, no fim da manhã, mas devolveram a alta antes do fechamento.
A taxa básica, a Selic, que serve de referência para todos os juros do país, está em 13,75% ao ano, mostra a série histórica do Banco Central. Ela foi cortada de 14% para esse nível em setembro, e o Copom, comitê do BC que define a taxa, só volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.
A inflação oficial, medida pelo IPCA, subiu 0,82% em setembro, depois de queda de 0,32% em agosto, informou o IBGE. Em 12 meses, o índice acumula 4,58%, acima dos 4,22% registrados até agosto.
Esse resultado passa do limite de tolerância da meta, que o Conselho Monetário Nacional fixou entre 1,5% e 4,5%, com centro em 3%. Pela regra em vigor desde 2025, a meta só é considerada descumprida se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses seguidos.
Habitação foi o grupo de maior alta em setembro, com 2,31%, e transportes, onde entram os combustíveis, subiu 0,89%. Com o petróleo perto de US$ 110, esse grupo pode voltar a pressionar os preços, o que reforça a cautela do Copom. Nos EUA, a inflação também está no centro das apostas.
Fed e tecnologia lá fora
O CPI, índice que mede a inflação ao consumidor nos EUA, subiu 0,6% em setembro e chegou a 3,7% em 12 meses, mostram os dados do Departamento do Trabalho americano, divulgados na quarta-feira (14).
O Federal Reserve, o banco central americano, subiu os juros em 0,25 ponto em 17 de setembro, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, e volta a se reunir em 27 e 28 de outubro. Para essa reunião, o mercado espera manutenção da taxa.
Para dezembro, a chance de nova alta calculada pelo CME Group saltou para 74,3%, ante 50,2% um mês atrás. O título de 10 anos do Tesouro americano rendia 5,09%, depois de passar de 5,30% no começo do mês, o maior nível desde 2002.
Juro alto costuma pesar sobre empresas de tecnologia, cujo valor depende de lucros esperados para muitos anos à frente. A Nasdaq caiu 2,1% nesta sexta, o S&P 500 recuou 1,1% e o Dow Jones perdeu 0,3%, e 68 das 75 ações de tecnologia do S&P 500 fecharam em queda.
As fabricantes de chips lideraram as perdas, com Micron (-5,6%), AMD (-6%) e Intel (-5,8%), num movimento que a AP associa à dúvida crescente sobre quanto tempo vai durar a febre de investimentos em inteligência artificial.
- AMD−6%
- Intel−5,8%
- Micron−5,6%
- Meta−3,7%
- Netflix−2,9%
- Alphabet−2,5%
- Tesla−2,1%
Entre as grandes, a Meta caiu 3,7% e a Alphabet, dona do Google, 2,5%. A Netflix recuou 2,9% após trocar o chefe de conteúdo, e a Tesla perdeu 2,1% depois de apresentar o novo Roadster.
Dólar
O dólar comercial caiu 0,28% e fechou a R$ 5,073 na venda, a primeira queda da moeda americana na semana, segundo o InfoMoney. Mesmo assim, o dólar ainda acumula alta de 1,75% na semana.
A PTAX, taxa média calculada pelo Banco Central e usada como referência em contratos, ficou em R$ 5,0826 nesta sexta, de acordo com a série do BC, um valor diferente do fechamento porque leva em conta a média de consultas ao longo do dia.
Juro alto nos EUA costuma atrair dinheiro para lá e valorizar o dólar, mas nesta sexta o real ganhou força no mesmo dia em que a bolsa subiu e os juros futuros caíram, o que pode indicar um pouco mais de apetite por risco no Brasil.
Próximos Passos do Mercado – Proteja seu Dinheiro
As próximas três semanas concentram eleição no Brasil, decisões de juros nos dois países e dados de inflação, emprego e atividade que costumam mexer com a bolsa, o dólar e o rendimento das aplicações.
No Brasil
- 18/10 (domingo): a Band promove o debate do segundo turno da eleição presidencial, de acordo com o InfoMoney; nesta semana, os juros futuros já reagiram rápido ao noticiário eleitoral.
- 23/10 (sexta): o IBGE divulga o IPCA-15 de outubro, prévia da inflação oficial; um número alto pode reduzir a chance de os juros do financiamento e do crediário caírem logo.
- 25/10 (domingo): é o segundo turno das eleições, segundo o TSE; o resultado pode mexer com o dólar e com as taxas de juros já na abertura de segunda-feira.
- 27/10 (terça): sai o Índice de Preços ao Produtor de setembro, do IBGE.
- 30/10 (sexta): é a vez da Pnad Contínua, a pesquisa do IBGE que mede o desemprego e ajuda a entender se salários e consumo seguem firmes.
- 3 e 4/11 (terça e quarta): com a Selic em 13,75% ao ano, o Copom se reúne para decidir a taxa, que serve de base para o rendimento da renda fixa e o custo do crédito.
- 5/11 (quinta): o IBGE divulga a produção industrial de setembro.
Nos EUA
- 27 e 28/10 (terça e quarta): a reunião do Fed termina com o anúncio dos juros americanos no dia 28, decisão que costuma repercutir no preço do dólar aqui.
- 29/10 (quinta), 9h30: o BEA, órgão de estatísticas econômicas do governo americano, divulga a primeira estimativa do PIB do terceiro trimestre e os dados de renda e gastos de setembro.
- 30/10 (sexta), 9h30: o BLS publica o índice de custo do emprego do terceiro trimestre.
- 6/11 (sexta), 10h30: sai o relatório de emprego de outubro, o payroll, também do BLS; um mercado de trabalho forte reforça a aposta de juros altos nos EUA, com reflexo no câmbio.

